Inside DEI - Luís Rodrigues

Nesta edição do Inside DEI ficaremos a saber um pouco mais sobre o Professor Luís Rodrigues.

  • Conta-nos um pouco sobre ti e o teu percurso no Técnico.

No secundário gostava bastante de física e de matemática pelo que vir para o IST fazer a licenciatura era uma escolha natural. Dito isto, não fazia ideia qual o ramo da engenharia que mais me interessava e creio que a única razão para ter escolhido Engenharia Electrotécnica foi essa ser a profissão do meu pai. Infelizmente, o curso não me conseguiu entusiasmar e fui-me arrastando, sem brilhantismo mas também sem embaraço, enquanto me dedicava a atividades paralelas (como organizar sessões de cinema através da AEIST).

Esta atitude mudou com o trabalho final de curso, graças a um tema muito interessante (desenvolver de raiz uma pilha de protocolos XNS, uma alternativa ao TCP/IP proprietária da Xerox) e a um conjunto de colegas de gabinete que me guiaram (mais concretamente o Nuno Guimarães e o Paulo Guedes; ambos viriam a ser docentes no IST). Adorei esse trabalho e quando o Alves Marques me convidou a ficar para trabalhar num projecto europeu e posteriormente fazer mestrado eu não hesitei (nessa altura, o mestrado só abria de 2 em 2 anos). Trabalhar nesse projecto europeu, com a supervisão do Paulo Veríssimo,  superou todas as minhas expectativas. Havia uma componente de investigação muito forte e tive a oportunidade de começar a escrever artigos científicos e participar em conferências internacionais. Foram tempos bastante estimulantes. Na altura, a presença Portuguesa nas conferências de sistemas distribuídos era residual e eu estava numa espécie de campeonato que consistia em contar em quantas conferências conseguíamos ser os primeiros a publicar investigação feita em Portugal. Neste contexto, continuar para o Doutoramento foi um passo natural.

Pouco depois de acabar o doutoramento, surgiu uma oportunidade de ir para a Faculdade de Ciências, que na altura estava interessada em reforçar a componente de sistemas no curso. Estive lá dez anos e foi uma experiência muito enriquecedora. Estava muito por fazer e tive oportunidade de criar e lecionar muitas cadeiras novas, criar um grupo de investigação do nada, ajudar a fundar um laboratório (o LASIGE) e servir em vários cargos de gestão, incluindo como presidente de departamento. Em 2007 concorri a uma vaga de catedrático no DEI e voltei para o IST. Nessa altura já havia uma equipa muito boa na minha área, que tem vindo a ser reforçada ao longo dos anos com contratações também de grande qualidade. Bons docentes e excelentes alunos têm ajudado a construir um grande grupo de investigação em sistemas distribuídos.

  • Em que consiste atualmente o teu trabalho na docência?

No DEI tenho leccionado várias UCs sempre na área de sistemas, incluindo Sistemas Operativos, Redes de Computadores, Sistemas Distribuídos, Tolerância a Faltas Distribuída, e  Desenvolvimento de Aplicações Distribuídas (DAD), assim como algumas cadeiras de doutoramento. Nos últimos dois anos surgiu a oportunidade de leccionar DAD em modo imersivo: dou aulas teóricas e práticas, na Alameda e no Tagus. São 23 horas por semana, o que é uma brutalidade, mas permite conhecer melhor os alunos e tem-se revelado uma experiência bastante divertida.

  • E na investigação?

Continuo a trabalhar em sistemas distribuídos, tolerância a faltas e, nos últimos anos, também na área da segurança informática. Apesar de agora o tema da moda ser a inteligência artificial, os sistemas distribuídos são fundamentais para treinar os modelos e fazer inferência de forma segura, eficiente, e com capacidade de escala.

  • Que projetos do teu percurso destacarias? Por exemplo, os mais inspiradores ou inovadores ou com maior impacto do teu percurso.

Como já referi, o primeiro projecto europeu em que trabalhei foi o mais inspirador, pois levou-me para uma carreira que eu nunca antes tinha imaginado. Mais tarde, já na FCUL, andei a trabalhar em sistemas de disseminação epidémica com dois alunos brilhantes (o José Pereira e  João Leitão, hoje ambos professores na U. Minho e na FCT UNL respectivamente). Deste trabalho resultaram alguns protocolos que vieram a ser adoptados (e adaptados) pela indústria, nomeadamente em sistemas de blockchain.

  • O que gostas mais no teu dia a dia no Técnico?

No Técnico temos alunos excelentes e tenho tido a sorte de orientar alguns dos melhores. É bastante estimulante, pois são alunos com ambição e que trazem muito entusiasmo e muitas ideias novas.  O grupo de investigação em que estou inserido é excepcional. Tem muita qualidade e existe um grande espírito de entreajuda.

  • Quem é o Luís fora do Técnico?

Gosto de ver séries e de ouvir música. Também gosto de jogos de tabuleiro e de jogos de computador. Tenho o cartão de amigo da cinemateca com o número 11, mas já não vou à cinemateca com a frequência que devia. Faço natação de forma não muito regular e sem grande empenho; acho que faço mais exercício a caminho da piscina do que a nadar.

(imagem: Luís Rodrigues)

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