Inside DEI - José Carlos Monteiro

Nesta edição do Inside DEI ficaremos a saber um pouco mais sobre o Professor José Carlos Monteiro.
- Conta-nos um pouco sobre ti e o teu percurso no Técnico.
O meu interesse por computadores é antigo. Escolhi no 10º ano a especialização de Eletrónica, e a escola mais perto de mim (Olivais) era a ES Afonso Domingues (uma tristeza, o estado em que está esta outrora grande escola). Aqui tive o primeiro contacto com um computador, um terminal "time-sharing" (nem sei que máquina era, PDP-11?), não havia monitor, era uma "máquina de escrever". Depois, claro, chegou o ZX81 e o ZXSpectrum.
Apesar disso, quando vim estudar para o Técnico, de facto o meu objetivo era tirar Física Tecnológica, que na altura só começava no 3ª ano, os dois primeiros anos podiam ser realizados em qualquer outra licenciatura. Escolhi Engenharia Electrotécnica e de Computadores. Acontece que nenhuma das três cadeiras de Física que tive me entusiasmou, e portanto optei por prosseguir em Eletrotecnia, tendo seguido o ramo de Computadores. Depois fiquei para Mestrado (durante o qual fiz a tropa...), e fui para o MIT fazer o doutoramento.
Ainda no 3º ano (1985!) vim para o grupo do Prof. Vidigal no INESC, em onde trabalhei em sistemas digitais, o que definiu a área em que investiguei no mestrado e doutoramento.
Entrei como monitor na secção de Eletrónica no meu 5º ano da licenciatura e como assistente após a sua conclusão, tendo interrompido a minha ligação para fazer o doutoramento. Tive o meu primeiro contrato de professor em Março de 1997, agora na secção de Sistemas Digitais. Em 1998 fui membro fundador do DEI, onde comecei na área de ASO e em 2016 passei para MTP. Durante este período penso que já devo ter exercido todos os cargos de gestão possíveis no departamento!
- Em que consiste atualmente o teu trabalho na docência?
Em ASO era responsável por cadeiras de arquitetura de computadores, IAC e Microprocessadores. Em MTP já fui responsável por FP, ASA e CPD. A partir do próximo ano letivo tenho a responsabilidade da UC Data Structures and Algorithms do novo curso GENI a arrancar em setembro.
- E na investigação?
A área de trabalho tem evoluído bastante. Como disse, comecei em sistemas digitais, de facto algoritmos de síntese de circuitos lógicos (quase como um compilador de hardware) otimizados para o baixo consumo.
Fui subindo na abstração até ao nível da arquitetura. Nesta altura, surgiram os multicores e interessei-me pelos algoritmos paralelos, que passaram a incluir a computação distribuída. E tenho estado a trabalhar nessa área desde então.
- Que projetos do teu percurso destacarias? Por exemplo, os mais inspiradores ou inovadores ou com maior impacto do teu percurso.
Participámos num projeto europeu relativamente recente, "European joint Effort toward a Highly Productive Programming Environment for Heterogeneous Exascale Computing" (EPEEC), liderado pelo Barcelona Supercomputing Center que foi muito interessante e que correu muito bem.
Desenvolvemos novas abordagens para diferentes aplicações em larga escala que vieram a incorporar a API do OpenMP. Atualmente estou num projeto FCT com o Prof. Juan Acebrón da Universidade Carlos III em Madrid, especialista em métodos numéricos, com o objetivo de desenvolver algoritmos paralelos e distribuídos para o cálculo eficiente de funções sobre matrizes. Este projeto tem me levado para áreas estranhas e que ainda não domino. Por exemplo, para mim uma derivada era uma derivada. Só percebi há pouco tempo que as derivadas no tempo e no espaço são diferentes...
Para não falar na resolução de problemas com derivadas de índice não inteiro.
- O que gostas mais no teu dia a dia no Técnico?
Os desafios permanentes. Trabalhar com pessoas motivadas. E a renovação constante, o termos todos os anos uma nova vaga de jovens brilhantes.
- Quem é o José fora do Técnico?
Não tenho nenhum hobby em particular. Para além das atividades culturais típicas, tenho interesse por diferentes áreas da ciência que vou acompanhando. Passo bastante tempo com a minha família e tenho um bom grupo de amigos, fazemos umas patuscadas!
