Inside DEI - António Rito Silva

Nesta edição do Inside DEI ficaremos a saber um pouco mais sobre o Professor António Rito Silva.
- Conta-nos um pouco sobre ti e o teu percurso no Técnico.
Tirei a Licenciatura em Matemática Aplicada - Ramo de Computação, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e o Mestrado em Matemática Aplicada - Ciência da Computação pelo Técnico, assim como o Doutoramento em Engenharia Informática e Computadores.
Após terminar o doutoramento, fui responsável pelo CIIST (Centro de Informática do Instituto Superior Técnico), atual DSI, onde se procedeu a uma profunda reestruturação. Nesse período, iniciou-se o desenvolvimento do sistema Fénix. Procurou-se, durante essa reestruturação, conciliar as competências da escola com as necessidades do CIIST, numa perspetiva de criar sinergias entre problemas reais e investigação, num contexto em que resultaram trabalhos finais de curso, teses de mestrado e de doutoramento.
Nesse contexto, foi desenvolvido um Object-Relational Mapper, FénixFramework, que ainda hoje está em produção e que foi inovador ao nível do estado da arte na área das transações de software em memória. Um outro aluno de doutoramento desenvolveu uma ferramenta de deteção de conflitos em integração de software, de que resultou o primeiro artigo, apenas de autores portugueses, publicado na International Conference on Software Engineering (ICSE).
Muito do que tenho realizado em investigação está na área dos serviços e dos sistemas transacionais. Após deixar de ser responsável pelo CIIST, trabalhei nos sistemas de workflow de objetos (Blended Workflow), nos quais se procurou suportar sistemas de workflow flexíveis que suportassem o tratamento de situações inesperadas. São sistemas orientados a objetivos, que permitem um desenho de processos de negócio sem estarem presos a uma sequência rígida de passos. Ulteriormente, quando decidi voltar a programar de forma continuada, trabalhei na área das humanidades digitais, onde foi desenvolvido o Arquivo do LdoD, um arquivo digital colaborativo do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa que se encontra em produção há cerca de 10 anos.
Atualmente, estou a investigar na área dos sistemas de microsserviços, com particular ênfase no impacto que a lógica de negócio tem no seu comportamento transacional e no seu desenho arquitetural. Estão a ser desenvolvidas duas ferramentas, mono2micro, para a identificação de microsserviços em sistemas monolíticos, e um simulador de microsserviços, para explorar o impacto que o desenho de lógica de negócio tem na complexidade transacional do sistema.
- Em que consiste actualmente o teu trabalho na docência?
Leciono as unidades curriculares de Engenharia de Software e Arquitetura de Software.
- E na investigação?
Na área de arquitetura de software, em particular, estou a trabalhar em arquiteturas de microsserviços.
- E na indústria?
Neste momento não tenho projetos com a indústria.
- Que projetos do teu percurso destacarias? Por exemplo, os mais inspiradores ou inovadores ou com maior impacto do teu percurso.
O que teve mais impacto foi o Sistema Fénix, que, passados mais de 20 anos, se encontra instalado em 3 universidades e que, soube recentemente, irá também ser instalado na Universidade de Aveiro.
Quando iniciei o projeto, o retorno que recebia era que seria impossível ser feito daquela forma. Quando se começaram a alcançar resultados, o que me diziam era que apenas duraria enquanto eu estivesse envolvido, ao que eu respondia que a "máquina" que estava a ser montada me sobreviveria. Agora, por extrapolação, imagino que se dirá que não tive nada a ver com o sucesso do projeto, o que seria a prova cabal do seu sucesso.
- O que gostas mais no teu dia a dia no Técnico?
Gosto de dar aulas, mas detesto dar duas aulas iguais, pelo que, cinco minutos antes de começar a aula, concentro-me para decidir como inicio de forma diferente. Começando de forma diferente, a aula vai ter uma outra sequência, ainda que trate dos mesmos assuntos.
Gosto também muito de interagir com os orientandos interessados. Ouvir as duas questões, aprender com elas e procurar formas de as contextualizar no conhecimento. Os meus melhores professores foram aqueles que, dada uma pergunta complicada, a tornavam em algo claro. Não que resolvessem o problema, mas faziam com que se tornasse evidente qual era o problema de facto.
Também gosto muito de escrever código, especialmente de refatorizar código, com vista a lhe dar uma coerência arquitetural. Dessa forma, procuro colaborar em todo o código desenvolvido pelos meus orientandos, continuando a evoluí-lo depois de eles terminarem as suas teses.
- Quem é o António fora do Técnico?
Nada de especial. Gosto de observar o que me cerca e, eventualmente, escrever sobre isso.
(imagem: António Rito Silva)
