10 perguntas a Tiago Raposo (Técnico Alumni)

A Técnico Alumni é uma plataforma que permite aos antigos estudantes do Instituto Superior Técnico reconectar, reviver e relembrar os seus tempos no Técnico através do acesso a uma rede de contactos com outros Alumni. É no contexto das atividades desta plataforma que surge a entrevista a Tiago Raposo, ex-aluno do DEI, que hoje republicamos na íntegra.

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Tiago Raposo é Engenheiro de Software especializado em Gameplay (mecânicas de jogo), e trabalha neste momento na Ubisoft em Montreal, Canadá.

Concluiu a Licenciatura em Engenharia Informática e de Computadores em 2016, que marcou o ponto de partida para um percurso académico e profissional diverso e multifacetado nos últimos 10 anos. Depois do Mestrado em Engenharia de Videojogos no Reino Unido, teve a oportunidade de trabalhar na indústria de jogos um pouco por todo o mundo, passando pelo Reino Unido, Estados Unidos, Portugal e Canadá. Os seus contributos fazem-se já sentir em vários jogos de renome, incluindo títulos nomeados e premiados como Tom Clancy's The Division 2, Assassin's Creed Nexus VR e Rainbow Six: Siege X.

  • Porquê o Técnico?

Na altura de ingressar no ensino superior, era incontestável, tanto por familiares que são alumni do Técnico, como por professores e colegas, que esta era a instituição que traria a melhor qualidade e rigor de ensino na área de Engenharia em Portugal. 10 anos depois de completar o meu curso no Técnico, continuo sem sombra de dúvidas que fiz a escolha acertada para obter a educação fundamental que formou as bases da minha carreira e sucesso profissional.

  • No Técnico, teve alguma figura inspiradora?

Tive o privilégio de ter muitos professores e professoras experientes, de alto calibre e distinção, que me proporcionaram uma educação de grande qualidade no Técnico. Dentro destes, o Professor David Martins de Matos, que nos ensinou Programação com Objectos e Compiladores, foi uma grande inspiração para mim. O ensino com leveza e exigência, a abordagem down-to-earth e acessível aos conceitos e materiais do currículo, e o humor único tornaram as suas aulas uma experiência sempre agradável. Muitos dos ensinamentos são ainda parte do meu dia-a-dia profissional e tenho imensa gratidão pelo seu contributo aos alunos, ano após ano, no Técnico.

  • Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?

Tive oportunidade de tirar o Mestrado no estrangeiro, numa área de especialização muito particular: Engenharia de Videojogos. Um dos grandes benefícios deste Mestrado foi também o elevado grau de integração com a indústria — o desenvolvimento de contactos e rede profissional começa mesmo na Universidade. Iniciei a carreira na Ubisoft Reflections e, nos meus primeiros meses, trabalhei em dois pequenos projectos indie: Ode e Atomega. Nestes, pude contribuir para um diverso leque de áreas de funcionalidade dos jogos, como shaders, simulação física, mecânicas de jogos, efeitos visuais, optimização de performance e até os muito cobiçados easter eggs.

  • Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?

Já várias vezes ao longo da minha carreira tive de tomar decisões-chave que mudaram por completo o percurso da minha vida. Para mim, todas as decisões que resultem numa mudança ou progressão de carreira são "as mais difíceis". Nesse sentido, já tive vários momentos decisivos, mas ainda tenho vários pela frente. Desde a decisão de me mudar para o Reino Unido para completar os estudos, passando pela minha mudança para os Estados Unidos, posterior regresso a Portugal, e a recente mudança para o Canadá, todas são decisões altamente impactantes. Mas com a ajuda de família, amigos, colegas e longas listas de prós e contras, não tenho muitos arrependimentos!

  • Como é que entrou na área profissional em que está agora?

Tive a sorte de saber desde cedo que um dos meus sonhos era criar videojogos. Desde a minha adolescência, para além de me entreter com pequenos cursos e desafios de programação, aplicava essa aprendizagem ao desenvolvimento de minijogos. Escolhi Engenharia Informática no Técnico já convencido que iria parar à indústria de jogos, mas confirmei este meu destino quando, no fim do curso, comecei a estudar meticulosamente as opções de estudar Engenharia de Videojogos nos grandes hubs no estrangeiro: Reino Unido, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, etc.

  • Atualmente, como é um dia típico para si?

A minha função principal actualmente é como contribuidor individual, que passa por várias fases no meu cargo de Senior Gameplay Engineer: sessões de brainstorming com as equipas de Engenharia, Design e Arte; criação de planos técnicos de desenvolvimento de novos sistemas e funcionalidade; implementação destes sistemas; e arranjar bugs e otimizar a performance um pouco por todo o jogo. Passo ainda parte do meu tempo a rever código dos meus colegas e a debater e planear o progresso técnico do projecto.

  • Quais são os seus planos para o futuro?

Tenho ainda uma grande parte da minha carreira pela frente, e grandes ambições sobre como ocupá-la! Para além da progressão natural para cargos com maior responsabilidade e impacto na tecnologia dos jogos em que trabalho, espero ter ainda várias oportunidades de dar um contributo significativo em jogos de alto impacto artístico e cultural — tal como tantos dos jogos que tenho apreciado desde a minha infância.

  • O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?

Durante o meu percurso académico, tive exposição a outras universidades, incluindo fora do país, e a outros ambientes sociais e culturais. Ainda hoje, 10 anos depois, acredito que o Técnico me proporcionou uma melhor preparação para o mundo profissional em Engenharia. O ensino de alta qualidade, o rigor, a exigência e a abordagem completa e holística à aprendizagem tornaram-me muito mais competente e resiliente no meu percurso profissional, o que não é só vantagem competitiva como também motivo de brio e orgulho.

  • Que conselhos daria aos estudantes atuais?

Não tenham medo de seguir o percurso em que mais acreditam para vocês mesmos e que vos permita alcançar os vossos sonhos. Não se deixem inibir por preconceitos sobre um determinado curso ou área académica, ou por pressão de colegas, professores, ou família. O sucesso pode ser medido e definido de muitas formas diferentes, e o mais importante é a vossa própria satisfação!

  • Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?

Resiliência. A nossa capacidade de resistir às adversidades no percurso académico e profissional e persistir no caminho para os nossos objectivos de vida é excepcional.

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