10 perguntas a Manuel Torrinha (Técnico Alumni)

A Técnico Alumni é uma plataforma que permite aos antigos estudantes do Instituto Superior Técnico reconectar, reviver e relembrar os seus tempos no Técnico através do acesso a uma rede de contactos com outros Alumni. É no contexto das atividades desta plataforma que surge a entrevista a Manuel Torrinha, ex-aluno do DEI, que hoje republicamos na íntegra.

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Manuel Torrinha é Mestre em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico, curso que concluiu em 2017. O seu percurso profissional começou com uma forte ligação à academia, dedicando-se à gestão e administração de sistemas em grupos de investigação científica, maioritariamente focados na astrofísica e gravitação, como o CENTRA. Foi neste ambiente multidisciplinar que consolidou conhecimentos em redes e sistemas distribuídos e desenvolveu uma visão holística dos projetos, aprendendo a equilibrar os detalhes técnicos com as necessidades do negócio.

Em 2020, deu o salto da investigação para a indústria global ao integrar a Cloudflare como Engenheiro de Sistemas. Atualmente, desempenha funções de liderança como Gestor de Engenharia, chefiando uma equipa responsável por ferramentas de desenvolvimento, automação e fiabilidade de serviços críticos. Considerando a transição de uma carreira técnica para a gestão como a sua decisão profissional mais desafiante, Manuel encontra hoje a sua maior motivação não apenas no sucesso tecnológico dos projetos, mas em garantir o sucesso e o crescimento das pessoas e equipas que lidera.

  • Porquê o Técnico?

Na altura via o IST como um dos mais importantes focos de Engenharia e investigação a nível nacional, visão que mantenho até hoje. Além disso, como vivia na linha de Sintra fazia sentido pois tinha o pólo do Taguspark próximo, e sempre era uma renda que se poupava. Se bem me lembro tinha 4 cursos do IST nas 4 primeiras opções quando me candidatei.

  • O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?

Mais do que a matéria em si, certamente levo a forma como nos juntávamos a estudar em conjunto e a aprender para além do que era leccionado. Seja nos laboratórios do Taguspark, na cave da RNL à espera que o segurança nos abrisse a porta de hora a hora, ou no "Aquário" em Civil. Aprender a aprender foi certamente o ensinamento mais valioso que levo do Técnico.

  • No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?

Uma das perguntas mais difíceis de responder, mas que me traz melhores memórias. Tive várias, desde o Professor Rogowski, Mecânica e Ondas, pelo seu método amável e considerado de ensinar Física a Engenheiros. A Professora Luísa Coheur, Lógica para Programação, pelos seus métodos de estruturação de dados capaz de reconhecer qualquer aluno e lembrar-se do nome mesmo anos depois! Os Professores Ricardo Chaves e Luís Veiga pela sua motivação para explorarmos e abraçarmos os desafios mais difíceis, sem medos. O Professor Pedro Bettencourt de Melo Mendes, que conseguiu despertar o meu interesse pela área de gestão.

Fora do meu curso, a Professora Ana Mourão, pelo seu empenho e dedicação à ciência, bem como o Professor Vitor Cardoso pela sua demonstração de perseverança. 

  • Qual a sua melhor recordação do Técnico?

Certamente os anos que colaborei no CENTRA, Centro Multidisciplinar de Astrofísica e Gravitação, aprendi imenso na colaboração em diferentes projectos indirectamente ligados à minha área de formação. Definitivamente deu-me uma capacidade de olhar para os projectos de forma holística, não focando apenas os detalhes técnicos mas tendo em conta toda a envolvente do negócio.

Tive o privilégio de interagir e privar com pessoas de todo o mundo, algumas com quem ainda mantenho contacto.

  • Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.

Neste momento estou a liderar parte de uma equipa na Cloudflare cuja missão é suportar e acelerar o ciclo de desenvolvimento de software de toda a empresa, através de ferramentas, serviços e automação. Mais especificamente, a equipa é responsável pela confiabilidade, resiliência e alta disponibilidade destes serviços e automações. Alguns dos serviços incluem o sistema de gestão de código, agente de integração contínua e repositórios de artefactos. Os nossos clientes são todos os Engenheiros de Software da empresa, bem como alguns executivos.

  • Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?

Em termos profissionais? Certamente mudar o percurso de carreira, de Engenheiro Sénior para Gestor de Engenharia. Embora seja bastante gratificante, requer um conjunto de valências completamente diferente. Verifiquei os vários sinais à minha volta e, sendo que já estava a progredir com sucesso para uma posição de liderança como Contribuidor Individual, houve uma janela de oportunidade que decidi aproveitar. Sinto que foi a decisão mais acertada, mais do que ver projectos a terminar com sucesso gosto de ver e contribuir para que as pessoas à minha volta tenham sucesso.

  • Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?

Com um início de carreira estritamente técnico pode-se tornar difícil compreender as implicações mais abrangentes que algumas decisões técnicas podem a nível do negócio. À medida que me fui tornando mais Sénior, ganhando mais experiência, tive o privilégio de estar próximo de tomada de decisões, como conselheiro. Constantemente a aprender, a pesquisar, a compreender o mundo à minha volta e como o negócio de onde estava funcionava, fui assim adquirindo as ferramentas necessárias para a pouco e pouco me aproximar de um cargo de liderança.

  • Que conselhos daria aos estudantes atuais?

Mantenham-se curiosos e sempre dispostos a aprender.

  • Que palavra ou frase usaria para descrever os Alumni do Técnico?

Preparados para o que der e vier.

  • Tem uma citação ou frase favorita?

Se algo merece ser feito, merece ser feito bem.

(imagem original: Manuel Torrinha)

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