10 perguntas a João Vasques (Técnico Alumni)

A Técnico Alumni é uma plataforma que permite aos antigos estudantes do Instituto Superior Técnico reconectar, reviver e relembrar os seus tempos no Técnico através do acesso a uma rede de contactos com outros Alumni. É no contexto das atividades desta plataforma que surge a entrevista a João Vasques, ex-aluno do DEI, que hoje republicamos na íntegra.

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João Vasques terminou o curso de Engenharia de Telecomunicações e Informática em 2012. Contribuiu para a construção de várias startups nacionais (Uniplaces, Talkdesk e Unbabel), através do seu trabalho como engenheiro e não só. O seu percurso levou-o até à Chainlink Labs, onde está a ajudar a construir o futuro standard de todo o mundo financeiro assente em blockchains.

  • Porquê o Técnico?

Tenho muitos engenheiros na família, todos eles do Técnico. Desde sempre gostei de construir coisas — na altura, muitos Legos. Queria saber como a internet funcionava, por isso ir para o Técnico foi algo natural.

  • Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?

Estudei Redes de Comunicações; o curso mudou de nome e creio que hoje em dia se chama Telecomunicações e Informática. No final do primeiro ano estive bastante tentado a mudar para Matemática Aplicada, mas um professor do departamento recomendou-me continuar no curso e disse-me que a Matemática me iria encontrar mais à frente. Isto porque detestei programação no primeiro ano, mas era bom a matemática e física. Depois, no segundo ano, houve um click e tudo passou a fazer sentido. Recordo-me bem de um projeto de redes em que desenvolvemos uma espécie de Skype bastante simples e pensei: “aquele professor de Matemática tinha razão”.

No final da Licenciatura e no Mestrado descobri que gostava bastante de Sistemas Distribuídos e acabei por fazer a tese nessa área. Ainda hoje leio artigos e livros sobre o tema.

  • O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?

A certeza de que os objetivos na vida podem ser alcançados se houver determinação, disciplina, boa disposição e uma noite bem dormida (embora fossem raras).

  • No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?

Sim, o professor Miguel Abreu, que me deu aulas de Cálculo e que dominava e tornava fáceis coisas que para nós pareciam artes mágicas.

  • Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?

Quando acabei o mestrado fui a várias entrevistas nas empresas onde toda a gente queria trabalhar (consultoras, telecomunicações, etc.). Não gostei de nenhuma e acabei por ir trabalhar para uma startup, a Uniplaces, como segundo funcionário. Na altura, em 2012, o ecossistema de startups estava a nascer e muitos professores e amigos não percebiam porque não tinha ido para um “emprego a sério”. Olhando para trás, essa decisão e o facto de depois ter tentado criar o meu negócio (que não correu bem) foram duas das melhores escolhas que fiz.

  • Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.

Estou a trabalhar na Chainlink Labs, uma das empresas líderes em serviços de dados e conectividade no mundo Web3 / Blockchain. O meu trabalho é bastante diverso: desde processar e indexar dados de mais de 20 blockchains para entender o que se passa com os nossos produtos até desenvolver soluções internas com inteligência artificial. De momento, estou a integrar o nosso produto mais complexo numa nova blockchain.

  • Como é que entrou na área profissional em que está agora?

Sempre gostei de sistemas distribuídos e de matemática. Mesmo quando trabalhava na Unbabel, uma empresa do mundo da Inteligência Artificial, dava por mim a ler artigos científicos sobre algoritmos de consenso e blockchains. Quando o convite da Chainlink apareceu no LinkedIn, foi algo natural.

  • O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?

O Técnico deu-me as bases para a vida que construí até agora. Estar numa empresa internacional com os melhores dos melhores deve-se em grande parte ao que o Técnico me ensinou: “aprender a aprender”.

  • Que conselhos daria aos estudantes atuais?

Deixava apenas dois:

  • Não se preocupem em fazer a escolha certa ou em ligar todos os pontos. Sigam o vosso instinto e avancem.
  • O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.
  • Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?

Navegadores do século XXI.

(imagem original: João Vasques)

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