10 perguntas a Diogo Rendeiro (Técnico Alumni)

A Técnico Alumni é uma plataforma que permite aos antigos estudantes do Instituto Superior Técnico reconectar, reviver e relembrar os seus tempos no Técnico através do acesso a uma rede de contactos com outros Alumni. É no contexto das atividades desta plataforma que surge a entrevista a Diogo Rendeiro, ex-aluno do DEI, que hoje republicamos na íntegra.
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Diogo Rendeiro, n.º mecanográfico 53836, ingressou no Instituto Superior Técnico em 2003, cursando Engenharia Informática e de Computadores.
Ao longo do seu trajecto profissional, Diogo construiu uma carreira internacional em gestão de produto em startups, trabalhando em tecnológicas com ADN português e projeção global como a Feedzai e a OutSystems.
Atualmente divide o seu tempo entre Lisboa e Barcelona, dirigindo o desenvolvimento de produtos de Inteligência Artificial, e coordenando uma formação avançada em Gestão de Produto na CMU Portugal Academy.
- Porquê o Técnico?
Sempre gostei de brincar com Lego. Em criança, passava horas a montar e a desmontar estruturas, a testar combinações e a perceber como as coisas funcionavam. Na escola, essa curiosidade prolongou-se na matemática e na física, áreas onde me sentia confortável e motivado. Seguir engenharia tornou-se uma escolha natural.
O Instituto Superior Técnico foi desde logo a minha primeira opção. Conhecia o instituto pela sua reputação de referência e porque o meu tio se tinha formado em Engenharia Química no Técnico. Mais tarde, essa escolha acabou por se repetir na família, com o meu irmão e os meus primos a seguirem diferentes cursos no Técnico.
- O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Levo sobretudo o valor da persistência. Aprendi que os problemas difíceis raramente se resolvem à primeira e que o progresso depende do método e do trabalho contínuo.
Com o tempo, essa base traduziu-se em confiança para trabalhar em situações de incerteza e ambiguidade. O Técnico prepara-nos para lidar com problemas mal definidos e manter a disciplina quando não há um caminho óbvio. Esta preparação acompanhou-me muito além das aulas e continua a ser essencial para enfrentar novos desafios.
- Qual é o seu lugar preferido no Técnico e porquê?
O meu lugar preferido é o “Aquário”, um dos espaços de estudo mais icónicos do Técnico, conhecido pelas suas fachadas de vidro voltadas para o exterior e pela luz natural abundante.
É um local onde se cruzam alunos de vários cursos e foi lá que preparei muitos projectos e épocas de exame.
- No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Várias. Lembro-me em particular do Professor Paulo Almeida, que lecionava as aulas teóricas de Álgebra Linear. À primeira vista, uma figura sóbria, de barba branca aprumada. Mas quando começava a falar sobre matemática, o registo mudava completamente. As suas aulas tinham um ritmo e uma cadência muito próprios, com humor à mistura. O Professor transformava algo aparentemente trivial como a multiplicação de matrizes num momento envolvente e divertido. Eram aulas que nos elevavam o espírito logo pelas 8 da manhã.
Hoje essa memória mantém-se também como um exemplo da importância de bem comunicar.
- Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?
Mudar de carreira e emigrar. Em 2013, mudei-me para Berlim para integrar a Zalando, então uma startup que vendia sapatos online. Foi uma aposta arriscada: um novo país, uma língua que não dominava e o primeiro trabalho em gestão de produto numa empresa de tecnologia em rápido crescimento.
A recompensa foi proporcional. Vivi de perto a evolução da empresa antes e após a IPO e participei na sua transformação numa referência europeia. Aprendi imenso e ficaram ligações profissionais e amizades fortes desse período.
- Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
O maior desafio tem sido descobrir e consolidar o meu estilo de liderança. A transição para funções de gestão obrigou-me a mudar a forma como trabalho. Aprendi a equilibrar a responsabilidade pelos resultados com a necessidade de adaptar a abordagem a diferentes pessoas, criando as condições para que tenham sucesso.
Hoje, o meu contributo mais relevante não é resolver problemas específicos, mas garantir que a equipa saiba quais são os problemas mais importantes a resolver e porquê.
- Pode falar-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente?
Atualmente trabalho no desenvolvimento de produtos de Inteligência Artificial para equipas de prospecção e vendas. O objetivo é ajudá-las a identificar os contactos certos e a abordar cada pessoa no momento adequado, com mensagens mais relevantes. Na prática, isto traduz-se em mais conversas qualificadas, mais reuniões marcadas e melhores resultados comerciais.
- Atualmente, como é um dia típico para si?
Grande parte do meu dia é passada a falar com pessoas. Entre reuniões com a equipa para acompanhar projetos e métricas, conversas com clientes para perceber como utilizam o produto, e alinhamentos com marketing, vendas e pós-vendas.
Há também tempo dedicado a estudar o mercado, estruturar decisões e preparar documentos que ajudem as equipas a alinhar prioridades e clarificar a direcção.
- O que o faz ter orgulho em ser alumnus do Técnico?
A qualidade da formação e o que ela representa. Ter passado pelo Técnico é um sinal de rigor, método e capacidade para lidar com problemas exigentes.
Hoje, quando contacto com alumni do Técnico, sei que estou perante pessoas com bases sólidas, habituadas a pensar com profundidade e a enfrentar desafios complexos sem atalhos.
- Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Aproveitem todas as oportunidades de aprendizagem que o Técnico vos oferece. Isso inclui as aulas de dúvidas, as revisões de prova, e até mesmo ir à segunda fase repetir aquele exame daquela cadeira que já se passou mas se podia fazer melhor. Saber usar todos os recursos disponíveis, e saber pedir ajuda, faz toda diferença. Tanto ao longo do curso, como no vosso percurso profissional.
(imagem original: Diogo Rendeiro)
