Bytes de Brilho: alunas excepcionais na Engª Informática e de Computadores

Nesta edição da Bytes de Brilho entrevistamos a Sofia Romeiro, vencedora do Prémio de Mérito da Huawei para o melhor estudante do Mestrado em Engenharia de Telecomunicações e Informática.
- Fala-nos um pouco sobre ti e do teu percurso no IST.
O meu nome é Sofía Romeiro e atualmente sou estudante de doutoramento em Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico, com foco nas áreas de redes de computadores e cibersegurança. Fiz também a licenciatura e o mestrado no Técnico, ambos em Engenharia de Telecomunicações e Informática.
Ao longo do meu percurso no IST fui desenvolvendo um interesse crescente por redes, cibersegurança e hardware programável. Fiz o meu primeiro estágio de verão entre o 1.º e o 2.º ano da licenciatura, algo que acredito ter sido fundamental para o meu percurso académico e profissional. Durante o 2.º ano comecei também a trabalhar na DSI como bolseira, onde permaneci até ao último ano do mestrado.
Fui ainda monitora (e posteriormente TA) desde o 3.º ano da licenciatura até terminar o mestrado, tendo tido oportunidade de acompanhar aulas laboratoriais de diferentes cadeiras ao longo de três anos. Paralelamente, comecei a colaborar em projetos de investigação no INESC-ID a partir do primeiro ano do mestrado, experiência que conduziu posteriormente à publicação de um artigo científico numa conferência internacional prestigiada. Já no último ano do mestrado, realizei ainda um estágio de investigação na Telefónica Research, em Barcelona.
Neste momento encontro-me a trabalhar numa publicação científica baseada na minha dissertação de mestrado.
- O que significou pessoalmente ganhar este prémio?
Receber o Prémio de Mérito da Huawei foi um reconhecimento muito importante e especial do trabalho, dedicação e consistência investidos ao longo dos últimos cinco anos. O percurso no Técnico é exigente e desafiante e, por isso, considero extremamente gratificante sentir que esse esforço é valorizado.
Ao longo do curso, sempre tentei ir um pouco além do esperado, procurando envolver-me não apenas na componente académica, mas também em investigação, ensino e projetos extracurriculares. Nesse sentido, sinto que este prémio representa também o resultado dessa ambição e dessa vontade constante de evoluir e superar-me.
Além disso, este prémio reflete igualmente a qualidade das pessoas com quem tive oportunidade de trabalhar ao longo destes anos, nomeadamente o Professor Nuno Santos (DEI) e o Dr. Eduard Marin (Telefónica Research), cujo acompanhamento e orientação tiveram um impacto muito importante no meu percurso.
- Porque é que prémios como este são importantes?
Acho que estes prémios são importantes porque valorizam o mérito de uma forma objetiva e reconhecem o esforço e dedicação dos estudantes. Funcionam também como motivação para continuar a investir em áreas científicas e tecnológicas e para procurar constantemente evoluir, tanto a nível académico como pessoal.
Ao mesmo tempo, ajudam a dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos alunos e às diferentes áreas de investigação e inovação existentes no Técnico. Considero igualmente importante a aproximação entre os estudantes, a investigação e a indústria, algo que acredito ainda ter bastante margem para crescer e que pode trazer enormes benefícios para a formação dos alunos.
- Na tua opinião (além de prémios ;) ), o que pode e deve ser feito para atrair mais mulheres para a ciência?
Penso que a representação, a visibilidade e o reconhecimento público têm um papel muito importante. É sempre mais fácil imaginarmo-nos numa determinada área ou função quando vemos outras mulheres a trabalhar nela, especialmente em posições técnicas e de liderança que nos inspiram e demonstram que é possível chegar bastante longe. Conhecer o percurso dessas mulheres e encontrar pontos com os quais nos identificamos ajuda também a desenvolver ambição, confiança e uma competitividade saudável.
Ao mesmo tempo, acho importante mostrar que ciência e engenharia são áreas muito mais diversas, criativas e multidisciplinares do que muitas vezes parecem à primeira vista. O contacto precoce com tecnologia, investigação e projetos práticos pode fazer uma diferença enorme, bem como iniciativas de partilha de experiências e networking, como o workshop N2Women organizado pela ACM SIGCOMM, onde tive oportunidade de participar.
Por fim, acredito que a mentalidade com que enfrentamos estes desafios é igualmente importante. Embora possam existir obstáculos adicionais para mulheres em áreas técnicas, considero fundamental não deixar que isso limite as nossas ambições, capacidades ou objetivos. Ter consciência dessas dificuldades é importante, mas não devemos permitir que definam aquilo que somos capazes de alcançar.
- Tens algum conselho para futuras alunas de Engenharia Informática e Computadores do Técnico?
Diria para não terem medo de experimentar áreas diferentes e sair da zona de conforto. Muitas vezes descobrimos aquilo de que realmente gostamos através de projetos, estágios, investigação ou até cadeiras que inicialmente não esperávamos apreciar.
Também aconselharia a não darem demasiada importância ao que é considerado "normal" ou esperado numa determinada fase do curso, sobretudo quando sentem que conseguem ir mais longe. No meu caso, por exemplo, no final do primeiro ano foi-me fortemente desaconselhado fazer um estágio. A decisão de não seguir esse conselho acabou por ter um impacto extremamente positivo no meu percurso e abriu-me várias portas no futuro. Não era uma decisão errada, mas apenas pouco comum.
Acho também importante não se deixarem intimidar pela dificuldade do curso ou pelo facto de, em algumas áreas, ainda existirem menos mulheres. O Técnico é exigente para toda a gente e pedir ajuda, colaborar e aprender com os outros faz parte do processo. Além disso, é precisamente isso que nos torna mais preparadas e resilientes para os desafios da indústria e da investigação. Falem com professores, alunos mais velhos e investigadores, façam perguntas e, acima de tudo, mantenham sempre uma enorme vontade de aprender e evoluir.
E, sobretudo, aproveitem as oportunidades — porque o percurso no Técnico pode abrir portas muito interessantes, tanto em Portugal como internacionalmente.
